Lá pelos idos de 1969, na noite de um domingo sinistro, estava eu com um bando de c.d.f. sentando o gagá na A-8. Completamente alienado, limpando a todo momento o meu canal auricular, mantendo lubrificada a caneta do Saldanha, de vez em quando ficava mexendo na tampinha trazeira da mesma e tome limpeza novamente.
De repente, ao olhar para a caneta, percebo que a mesma se encontrava sem a tampinha trazeira. Em pânico, dou ciência imediatamente ao proprietário da mesma, fazendo um relato do fato ocorrido. Sou levado pelo Saldanha e mais um colega que não me lembro quem foi à enfermaria da Prep.
Em lá chegando, o enfermeiro diz que não tinha condições de resolver o problema e imediatamente manda avisar ao Oficial de dia. Sou encaminhado junto com o Saldanha e outro colega a um Jeep para ser levado a um posto de saúde em Campinas. Lá sou encaminhado imediatamente a uma sala para ser atendido por um enfermeiro, e o Saldanha tenta ir junto mas é barrado por ele. Insatifeito, Saldanha fica argumentando com o enfermeiro que a tampa da caneta era dele e que não ia ficar com uma caneta sem tampinha.
Para acalmar o Saldanha, o enfermeiro prometeu que devolveria a tampinha. Dito e feito, ao remover a tampinha do meu ouvido o enfermeiro embrulhou a mesma em uma gaze e a devolveu para ele. Ainda bem que Saldanha era um cara discreto e não fez alarde do fato ocorrido. Mesmo com quarenta anos de atraso, quero aqui enviar o meu agradecimento eterno a esse amigão.
Obrigado Saldanha. Em tempo: será que você ainda tem a caneta????