O site de nossa Turma 71 da EsPCEx foi criado em 20 de Maio de 2009, como uma homenagem à turma que, há quarenta anos atrás, ingressou pelos portões da escola como novos alunos do 2º grau, hoje ensino médio. Ainda éramos muito jovens, adolescentes inexperientes, cheios de entusiasmo e expectativas, muito próprio da juventude, com a cabeça plena de ideais e sonhos apesar de algumas dúvidas. Empolgava-nos o futuro dali a três anos: o ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras – a AMAN – e nos formarmos Oficiais do Exército Brasileiro. Porém, nem todos.
Mal sabíamos o que nos aguardava: a saudade de nossos lares, de nossa família, a vida bem difícil, com uma disciplina muito rigorosa, horários a serem cumpridos à risca, sem atrasos para nenhuma atividade, inclusive o rancho; cabelos cortados a cada oito dias à máquina zero ou um, até quase no alto da cabeça; barba feita e uniforme impecável, limpo e bem passado, fivela do cinto brilhando com “Kaol”, sapatos ou coturnos engraxados, reluzentes, tudo isto diariamente.
Também tínhamos que arrumar cada qual a sua cama, ao despertarmos no toque de alvorada, sem contar que, quando estávamos no 1º ano (chamados de “bichos”) éramos escalados para arrumar as camas dos “veteranos”, alunos do 3º ano que, infelizmente, juntamente com os “calouros”, do 2º ano, ficávamos todos no mesmo alojamento. E isto nas três companhias.
Depois houve, em 1970, a separação por ano nas Cia, constatada a ineficácia da situação vigente até então.
A partir de 1990, este modelar estabelecimento de ensino militar passou a oferecer somente o 3º ano do Ensino Médio.
Não adiantava sair rápido do alojamento antes do toque de alvorada, pois já havíamos sido escalados de véspera para arrumarmos a cama de um, dois, três ou mais veteranos, que faziam questão de só se levantarem ao término da última nota do toque. Os calouros e os réps (repetentes do primeiro ano) não nos incomodavam. E cama mal arrumada dava punição.
E tínhamos que ser rápidos na higiene matinal e vestir o uniforme, para não chegarmos atrasados ao rancho do café e sermos “torrados”. Pronto. Já era o fim de semana.
Na parte da tarde, após a Educação Física, era aquele desespero para tomar banho o mais rápido possível, pois quase sempre alguém lá nos banheiros berrava: "Tá acabando a água"!!!
Se bobeasse ficava sem banho mesmo, que era frio e, no inverno então, gelava (nem se cogitava pensar em aquecedor solar, como existe atualmente) e energia elétrica nos chuveiros era um luxo que não se podia ter. Contenção de despesas. E não havia outro jeito, tinha que disfarçar e ir sujo para o rancho do jantar.
Não podia se ausentar. Faltar a qualquer atividade sem justificativa nem pensar. Era punição na certa, L.S. (Licenciamento Sustado) no fim de semana, sem poder sair pelos portões da escola para uma viagem ou lazer externo, quando não era pior, com a detenção (Det) ficava restrito dentro da ala da companhia, ou mesmo a prisão em celas, nas alterações mais graves.
Com o início das aulas, muitos estranharam o acúmulo de matérias que recebíamos, na parte da manhã, somados à instrução militar, teórica e prática e à educação física, no período da tarde. Tudo valia grau e conceito.
À noite havia o estudo obrigatório, com a revista do recolher dentro das salas de aula por volta das 21 h pelo Oficial-de-Dia ou os Adjuntos. Depois estávamos liberados para continuarmos com os estudos ou irmos ao alojamento para dormir, após um dia intenso e cansativo. Evidentemente, era proibido sair da escola durante a semana. Havia alguns “golpistas” mais encorajados. Era arriscado demais. Se fossem pegos...
Os trotes eram proibidos, na teoria, porque na prática havia mesmo. E quase ninguém foi punido por causa disto. E duravam meses, se não me engano até à noite de véspera do nosso Juramento à Bandeira Nacional, no Dia do Soldado, 25 de Agosto, conhecida como "Noite de São Bartolomeu".
Havia também os serviços de escala para todos os alunos, do 1º ao 3º ano, plantões, guardas do quartel, cabos de dia e da guarda, sargentos de dia, adjuntos e comandante da guarda, de vinte e quatro horas. Os escalados ficavam responsáveis pela faxina de vestiários, banheiros e alojamentos, além dos que tiravam guarda-do-quartel que respondiam pela limpeza do Corpo da Guarda. Não existia, como até hoje, serviços de terceirização de limpeza e conservação das instalações. Eram os próprios alunos que faziam tudo mesmo!
Mas o tempo passou e nos formamos, a maioria seguiu para a AMAN e outros retornaram à vida civil, ingressando em faculdades ou outras forças, como a Polícia Militar. O ensino na EsPCEx era e continua sendo de excelente qualidade e prepara muito bem o aluno para concursos e vestibulares.
No nosso site, alguns momentos estão registrados nas fotos e nos blogs. As fotografias, ainda em preto-e-branco, eram de baixa qualidade e as poucas coloridas, no início da década de 70, não tinham a tecnologia espetacular das de hoje. Mas era do que dispúnhamos.
Observando as fotografias atuais, tiradas pelas modernas câmeras digitais, em sua maioria, outras pelas câmeras tradicionais de filmes de película, algumas por celulares, vemos a diferença que salta aos olhos, gritante mesmo, das fotografias tiradas em nossa época de alunos. Se fôssemos alunos da Prep hoje, daqui a quarenta anos teríamos um site de qualidade muitíssima superior ao nosso. Os próprios alunos, com os equipamentos acima citados, tirariam “trocentas” fotos cada qual, em várias situações, como solenidades, bailes, festas, lazer, turmas de sala de aula, rancho, educação física, marchas, acampamentos, etc... Fariam vídeos e gravações de áudio os mais diversos em momentos de descontração.
O nosso fotógrafo Nick, que recebeu a alcunha de “Latrone” e que tirou a maioria das fotos postadas neste site, coitado, estaria desempregado irremediavelmente, porque nenhum aluno em sã consciência iria pedir a ele para tirar uma foto sua e ele vir com duas e cobrar três, como nos disse o Erthal em seu blog.
Só mesmo o “Febinho”, que nos vendia aqueles seus famosos salgadinhos e fatias de pizza quentes, à noite, nas salas de aula, não ficaria sem emprego, se dependesse dos alunos.
E teríamos mil e tantas fotos no site, tal a facilidade que temos hoje de fotografar, como disse anteriormente, centenas de fotos nas câmeras digitais e celulares, descarregar tudo no computador e tirar muito mais quantas vezes quiser. Sem falar em vídeos. E todos com uma qualidade de imagem excepcional! Coisa inimaginável para nós na época de alunos. E isto sem falar em Internet! Computadores? Só aqueles operados por empresas poderosas, como a IBM e a MACINTOSH, que ocupavam uma parede inteira e cuja memória era inferior a de um simples telefone celular atual. Até os computadores da Apolo 11, primeira nave espacial tripulada a pousar na Lua, em 20 de Julho de 1969, tinham a memória neste padrão.
Quem diria que hoje teríamos um computador portátil em nossa casa? E os notebooks que podemos levar para qualquer lugar? E os celulares que também nos conectam com a Internet? Só o Bill Gates, visionário, com muitos anos de antecedência, previu isto. Por isto está bilionário!!!
Hoje a Internet nos permite isto, a integração da turma mesmo virtualmente. Podemos marcar encontros de confraternização, festas, visitas a quem não víamos há décadas, ora em uma cidade, ora em outra. E mostrar nossas fotos e vídeos instantaneamente, sem a demora das cartas e telegramas nos correios. Ou sem as despesas de telefonemas interurbanos, bom que se diga.
Somos uma geração de botões que operam sutis impulsos computadorizados e não mais rudes e pesadas engrenagens mecânicas. Nossa moeda se invisibilizou, convertendo-se em meros registros eletrônicos. E nosso conhecimento está se transferindo de livros e estantes para uma imensa teia invisível sustentada pela imaterialidade de ondas digitais.
Bem-vindo os avanços da tecnologia, capazes de nos proporcionar muitas facilidades, praticidade, conforto e a comodidade de mantermos contato uns com os outros; e que esta pequenina semente lançada, o nosso site, que germinou e está crescendo, possa gerar os frutos de companheirismo, camaradagem e união entre todos nós, integrantes da Turma 71 da EsPCEx – Turma Marechal Mascarenhas de Moraes.