A aula de bate papo. Um professor de matemática (cálculo) do terceiro ano (e diga-se logo: a base de cálculo eu aprendi na prep, não na AMAN) foi logo avisando no primeiro dia de aula:
- "Não quero ouvir conversa durante minhas aulas. Nenhum tipo de papo! Quem quiser tirar dúvidas fale comigo! E também todo mês teremos uma aula de bate papo. Entenderam? Não precisam conversar na aula porque haverá uma aula só para isso"!
A informação surpreendeu e não sei se alguém ouviu bem como a coisa ia funcionar.
Independentemente da aula de bate papo, conversar na aula “dele” não parecia ser uma boa idéia. Não bastasse a régua de 1 metro que ele brandia como um tacape, era forte e atarracado. E sua expressão indicava mais problemas para quem resolvesse desafiar as regras. Enfim, dado o contexto, quem se arriscaria mesmo a conversar na aula? Então a aula de bate papo seria um bônus compensatório. E bem vindo!
Decorrido o primeiro mês, finalmente o dia da aula de bate papo chegou, seja lá o que fosse essa tal aula. E quando o Major entrou na sala, a turma já estava se aquecendo. O pessoal falava pelos cotovelos. Nem Snoopy na sexta feira a noite poderia ser mais feliz! Papo liberado! Assim que foi dado o “à vontade”, depois da apresentação do chefe, a barulheira substituiu o habitual silêncio sepulcral. O professor, lançando mão de sua régua, olhou muito espantado para a turma. E falou:
- "O que é isso hoje"?
- "Hoje é aula de bate papo" – Luz foi logo avisando (observação: Luz era um cara que não perderia uma chance como essa por nada nesse mundo).
Vendo que os alunos continuavam conversando, a paciência do nobre mestre se esgotou (sempre tive a impressão de que a paciência dele era um bom exemplo de infinitésimo, um conceito teórico meio abstrato, mas que, na prática, até que era fácil entender... mas posso estar errado... – em ambas as coisas).
- "Atenção a turma! Calem essa boca"!!!
E falando com voz de comando adequada a comunicação com um batalhão no campo e debaixo da tempestade do juízo final:
- "A aula hoje é de BATE PAPO"!
Com o decisivo incentivo do mestre, fez-se o costumeiro silêncio memorial. Retomada a ordem, discorreu sobre um assunto que não me lembro. Seguramente não foi sobre cálculo. E assim foi até o fim da aula. Já quase não me lembro de detalhes das aulas de cálculo, TODAVIA, uma coisa nunca mais esqueci:
- "Calem essa boca! A aula hoje é de bate papo"!