
Fiquei sabendo há pouco tempo sobre a desencarnação precoce do nosso querido amigo dos idos de 1969/1970, o Aluno 449 das Turmas A-9 e B-6. Precisei confirmar com membros de sua família por não querer acreditar na triste notícia que tinha chegado a mim.
Aquele companheiro, que para alguns poderia à época da EsPCEx parecer apresentar problemas de desajustamento ao regime vigente, não estava só em seus tormentos. Vários de nós tínhamos muitas dificuldades para nos mantermos dentro dos rigorosos padrões exigidos, a fim de sermos habilitados ao final do curso à matrícula na AMAN.
Publiquei num Post, um trecho de carta dirigida a meus pais no mês de Março de 1968, que tinha resolvido me desligar daquele curso e que pediria a eles para reservarem uma vaga no meu antigo colégio para continuar meus estudos, mas fui convencido a ficar pelo então Tenente Tatton, o qual me mostrou as razões do desespero pelo qual eu estava passando e que eu iria sim, conseguir realizar o meu sonho que sempre foi o de ser militar do Exército.
O Delson mostrou pelo fato de ter sido aprovado no concurso para Admissão e Matrícula na EsPCEx, que possuía bom preparo intelectual. Era um companheiro inteligente.
Quando ele ingressou na escola no ano de 1969, eu já tinha um ano de vivência por lá por ter repetido o primeiro ano e aquele carioquinha de Coelho Neto, o melhor bairro do Rio como sempre dizia, rapidamente se enturmou com todos os repetentes e, é claro, com todos os demais que também foram matriculados no mesmo ano. Éramos da mesma sala, a A-9.
Nos momentos de bate-papos ele sempre comentava que não era bem aquilo que desejava como realização profissional. Chegou em algumas vezes a convidar-me, bem como outros colegas, para fazermos o curso de Investigador de um tal Bechara Jalque, do qual ele possuía uma pequena apostila. Não topei a idéia, pois na época, mais que nunca, seria ponto de honra para mim mostrar que eu poderia seguir em frente até a conclusão do curso.
Ele andava também com uma outra apostila de um cursinho para fortalecer o físico, que era do Charles Atlas e vivia se exercitando para adquirir maior vigor físico.
Quando havia momentos de folga e descontração, lá estava ele como de costume, alegre e risonho em alguma turma na conversa de alunos, mas sempre repetindo sobre não ter o desejo de seguir carreira no Exército. Ele queria mesmo e estava bastante orientado quanto a isto, era ser um investigador policial. E correu atrás de seu ideal até conseguir realizá-lo.
Na EsPCEx, mostrou sua inteligência ao visitar espontaneamente a Seção Psicotécnica ou às vezes lá era chamado, para receber orientação educacional e soluções para contornar as dificuldades que parecia apresentar. Buscava mesmo era o seu desligamento.
Os profissionais daquela seção deveriam ser convencidos que seria melhor desligá-lo o que acho não ter surtido efeito. Assim, ele voltaria para junto dos parentes e amigos de infância de quem tanto sentia saudades e perseguiria o seu objetivo já definido que era ser policial. Mas como não correu como o previsto, ele acabou sendo reprovado no segundo ano ou pedido desligamento, o que não tenho muita certeza pelo longo tempo decorrido. Não me lembro de momentos juntos no terceiro ano.
Com informações recebidas de irmãos seus, constatei que ele havia realizado o seu sonho de ser Policial Detetive, numa das cidades mais violentas do país. Foi do Quadro Permanente da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Mostrou que tinha o pendor e, também, a coragem necessária a um integrante da Polícia. Faleceu vítima de tiroteio, agindo em defesa de pessoas que corriam risco de serem mortas ou feridas durante um assalto, em 6 de novembro de 1998, na cidade do Rio de Janeiro.
Com esse singelo registro, desejo prestar em meu nome e no de todos os amigos da Turma EsPCEx71 uma simples homenagem póstuma ao saudoso amigo, externando nossas condolências a todos os seus familiares e, principalmente, aos seus dois filhos, à sua viúva e a todos os seus irmãos, bem como concitar os integrantes da Turma Marechal Mascarenhas de Moraes a elevarem seus pensamentos a Deus e fazerem uma prece, para que o Pai Onipotente e Misericordioso tenha recebido sua alma em Seu Reino de Amor e Paz.