Esclarecimentos do Homem-Bomba

               Sei que muitos colegas não conheceram a verdade até hoje; então, aí vai a história, contada pelo próprio autor do episódio.
               Era o dia 10 de Junho de 1970 (Dia da Artilharia); eu havia acordado mais cedo e tinha descido para o vestiário, antes de todo mundo. Quando então toca a Alvorada Festiva, com a Banda tocando no corredor da Escola e tiros de obuses do lado de fora. Como eu era simpatizante pela Arma de Artilharia, por ter sido filho de Sargento de Artilharia e ter passado minha infância dentro da Fortaleza de São João, na Urca (RJ), acabei me empolgando com aquela alvorada e decidi participar da comemoração.
               Havia eu comprado uma caixa de rojões de três tiros, para comemoração nos jogos da Seleção Brasileira de Futebol, pois era o ano de Copa do Mundo e eu pretendia soltá-los, quando dos gols do Brasil. Aproveitando aquela animação em que me encontrava e não havendo ninguém, ainda, no vestiário, acendi um rojão e soltei-o dentro do setor, que explodira contra a parede no canto, embaixo da janela. Ainda empolgado e como não havia chegado ninguém no vestiário, acendi outro rojão e coloquei o braço para fora da janela, para que explodisse lá fora. Só que a abertura da janela não dava jeito de colocar o rojão virado para cima e ficou inclinado, mais ou menos, num ângulo de 45º; e quando saiu, foi em direção à 3ª Cia e acabou estourando na janela, quebrando o vidro, produzindo estilhaços, que atingiram o aluno "Bolinha", chegando também a queimar a roupa dele que estava pendurada na janela. Foi quando eu olhei pela janela e vi que havia feito um estrago, pois havia alunos do 3º ano pulando pelas janelas para virem descobrir o causador da desgraça. Sabia eu que o "bicho ia pegar". Guardei a caixa de rojões no armário e corri para o banheiro, para me esconder da "Cavalaria" que vinha ao meu encalço. Quando estava naquele tumulto dentro da Cia, eu saí do banheiro, com a maior "cara lavada", perguntando o que havia acontecido. Graças a Deus, ninguém conseguiu identificar, de imediato, o causador de tamanho estrago, pois, senão, eu seria linchado naquele mesmo momento em que invadiram a 2ª Cia, até pelas janelas. Salvei-me pelo horário do rancho, que já estava em cima da hora e ninguém queria se atrasar, para não ser punido.
               Aí vem a história do Maj Hümmel, durante a formatura, após o café da manhã. E vocês acham que eu era idiota de me acusar, na frente de toda a tropa formada e, ainda mais, com o Major daquele jeito, espumando de ódio, vermelho, quase explodindo as veias do pescoço? Se eu me acuso naquele momento, foi o meu pensamento, tenho certeza que ele me dava uma "porrada".
               Foi em um intervalo de aula que saí de sala, como se fosse ao banheiro, e me dirigi à 2ª Cia para me entregar como culpado do ocorrido. Quando encontro com o "maravilhoso", "excelente" e "amigo", Cap Dizioli (corrijam-me no nome se estiver errado), para o qual contei todo o acontecido, nos mínimos detalhes, do mesmo jeito que narro aqui.
               Quero aproveitar o espaço para reiterar minhas desculpas aos atingidos, tanto físicos, como moralmente, por um ato um pouco impensado num momento de empolgação e que também me renderam uma Detenção de 16 dias.
               Mas no fim de tudo, não deixa de ser um desses casos pitorescos, de tantos que passamos em nossa querida "PREP".
               Entrei na "PREP" em 69, fui "REP" em 70, fui "REP na AMAN em 75 no 2º ano e me formei em 77, pela Intendência. Sou um dos raros que fazem "Curso Completo" na formação do Oficial Militar do Exército. E depois de tudo, quando cheguei como Aspirante no 5º RCMec, Quaraí - RS, pedi demissão do Serviço Ativo do Exército, mas ainda aguardei 1 ano para concederem minha demissão. Acabei saindo como 2º Ten da Reserva Não Remunerada. Fui bancário do Banerj e hoje estou aposentado. Não me arrependo, mas os amigos deixam saudades e os "causos", daqueles momentos de nossa mocidade, que já faz bastante tempo.
               Um abração a todos, de coração!