Quando se reúnem velhos companheiros, mesmo à distância, como pela Internet, se faz presente o mesmo espírito que os levou a reunirem-se no início da caminhada.
Hoje relembramos aqueles tempos com saudades.
Vindos dos mais distantes locais do Brasil, chegamos a Campinas no início de 1969. Éramos pouco mais de cem em cada companhia, alunos matriculados no primeiro ano que somados a mais de duzentos do segundo e terceiro ano formávamos uma Subunidade escolar. A minha era a 3ª Companhia de Alunos, comandada pelo então Capitão Adailton Sant’Ana. Boa gente, muito querido pelos alunos. Os tenentes eram o Kneipp, mais conhecido como Zé Macaco e o outro era o Campos - Qüem-Qüem - que desejava criar os Qüem-mandos num acampamento na Fonte Sônia. A 2ª Companhia era comandada pelo Capitão Édson Flora – o Bló - que tinha um peculiar linguajar para comandar Ordem Unida e a 1ª Companhia pelo Capitão Barreto - o famoso Cuspão - com suas máximas lembradas até hoje e seus coturnos só lustrados no bico.
- "Aluno, hoje arrumas mal a cama, amanhã estarás assaltando um banco"!
Tinha cada figuraço, dentre os quais um se destacava - o Teixeirão - o mais antigo dos tenentes, se não me engano.
De minha parte, na primeira semana baixei à enfermaria escolar (EE). Não sei se foi pelo lanjal, a panqueca ou a “granada”, mas o caso é que foi uma iguaria do Bigode e saí dali direto para o torneio de futebol de salão da bicharada e fiquei “peixe” do Cap. Sant’Ana. Não recordo do goleiro, se não me engano era o falecido Mirassol. A defesa era o Lontfranch e o Lourencini (Pé-na-Cova) e no ataque eu e o Durvalino Cristo da Silva Chaves.
A partir daí fiquei conhecido. No segundo ano, com o advento das atividades extra-classe, fui para a Pintura e lá foi o capitão me trazer literalmente por uma orelha para o futebol.
Acredito que todos lembram um lance exótico: estávamos na sala de aula, quando o Oficial de Dia - o Teixeirão - surge convocando alunos para dar um trote na bicharada que chegava na 1ª Companhia. Estávamos no segundo ano. Mal os alunos entraram na 1ª Cia., o dito oficial trancou a ala e deixou todos à vontade. Ao sair, escoltou-os, anotando a seguir seu número e dando Parte de todos por trote.
O outro lance que me contaram, não estava presente pois passava todos os fins de semana em São Paulo, foi o convite aos alunos para um baile no Círculo Militar num sábado. No meio do baile, o autor do convite convoca os alunos - todos para o centro do salão e os expulsa do local.
- "Fora do baile, cambada de vagabundos"!
Assim foram tratados os alunos.
Que coisa! Virou folclore.
Aproveito para contar mais uma da figura do presidente do Círculo. A escola estava sem campo para treinar futebol e foi cedido o do Círculo. Bem no meio de um treino surge o presidente correndo com todos portão afora. Até o treinador - Tenente Garlip ou Sinésio, não recordo, entrou na correria. Só paramos de correr dentro da Preparatória.
Por falar em futebol, quem não se lembra daquele futebol na chuva, quando a EsPCEx ainda era barro vermelho puro e terminamos nos jogando dentro da piscina, ou espelho d’água, que estava sendo concluída defronte ao pátio de formaturas ? Depois o Of. Dia saiu atrás de todo mundo. Foi aquela correria até a companhia marcando tudo com barro vermelho. Neste episódio, eu estava lá.
E quem não se lembra do Capitão Acauan? Um gaúcho com linguajar típico da campanha.
- "Viu tchê, só porque tu és meu peixe, levarás 10 dias de DET"!
E mais o Dr. Emilio "Barnard" com seus Parenzime, Mobilat e as injeções, a vermelha de Vitamina B e a verde da C, ambas oleosas, doloridas uma barbaridade! E como! Cruzes!
Da C, a verdinha, tenho uma lembrança.
Estava com uma gripe forte quando recebi a receita na Visita Médica: tinha de tomar uma injeção. Acho que não me dei conta do perigo. Bom, durante o ensino obrigatório fui á EE. Lá estava também o Ailton Cabeção, da A-7. Mal o enfermeiro, sargento Goulart, aplicou a injeção retirando a agulha do seu braço, ele rebateu no PH (plano horizontal). Retinho. De cara. Que queda! Confesso que quase saí correndo, mas tinha de tomar a maldita. Aguentei corajosamente me prometendo que nunca mais me griparia. Cheguei a sentir na boca o gosto da injeção. Se melhorei, até hoje não sei.
Mas temos outros personagens. Um deles o então TC Villas Boas. Um dia, no estudo obrigatório, na A-8, o Jacaré Rhiel desenhou um imenso engalhado de dar inveja ao maior cervo canadense em torno da janelinha de vidro da porta. Quem, por ventura, tentasse olhar como estavam se comportando os alunos em sala, teria de, forçosamente, enquadrar-se fotograficamente na galhada. E não é que foi o VB? O velho répi com a cara vermelha cheia de espinhas entrou pelo cano em mais uma.
O passo seguinte, com absoluta certeza, foi a ordem do VB para algum adjunto ao CA tomar providências. Mas o Jacaré, chefe de turma, trancou a porta por dentro.
E chega o adjunto.
- "Abra a porta"!
- "Picaschchch! Responde o Jáca com sotaque bem acariocado".
-...
- "Chongaschchch"!
-...
Aí o adjunto entrou na brincadeira:
- "Númerosschchch"!
E torrou com tudo que tinha direito o velho Jacaré.
E o Miguel Carlos Tatton Ferreira de Oliveira? O famoso capitão Tatton? Onde anda?
- "E aí, nenén"?
-"Oh, mocorongo"!
-"Eu vi... Foi você"!!!!
Quantas figuras! Major Joanor, os dois Diziolis, o capitão e o tenente, o TC Virgilio da Silva Rocha (Confere com o original), o Malta, o Cebolinha e o Reizinho da banda...
Que tempos!