Parece que foi ontem. Em meados de 1967 quando nos conhecemos no Curso Seixas.
Nossa amizade foi rápida. Em poucos dias eu já pedalava por quarenta minutos para chegar à sua casa nos fins de semana, quando não era você a me visitar.
Montamos um grupo de estudo até para os fins de semana. Durante a semana, quando não tínhamos aulas, às vezes ficávamos passeando nas barcas Rio-Niterói, indo e voltando do Rio para podermos ficar estudando em um ambiente diferente.
Não sendo aprovados para a “Prep”, fizemos prova para o Liceu Nilo Peçanha e passamos em 1968 a estudar à tarde no Curso Seixas e a noite no Liceu. Foi um ano em que passamos trezentos e sessenta dias juntos.
Glória!!! Estávamos aprovados. Estávamos juntos na 3ª Cia. No alojamento, sua cama ficava ao lado da minha, quando no dia 13 de fevereiro de 1969, à noitinha, você veio e me deu os parabéns. Era meu aniversário e eu só havia me lembrado na hora do almoço.
Fugíamos dos trotes como o “diabo foge da cruz”, mas o fato mais marcante neste ano foi quando você, vendo a minha tristeza por ficar em recuperação com o Souza Lobo, viajou comigo para Niterói com apenas uma divisa no braço, só vindo a colocar a divisa do segundo ano chegando em sua casa.
Sempre juntos nas mesmas Cia, nos encontramos novamente na Sala C3. Lembro-me perfeitamente do sacrifício que você fez para poder custear hotel e passagens para seus pais e irmãos poderem estar juntos com você em sua formatura.
Na AMAN foi semelhante. Sempre que podíamos estávamos juntos. Mas sempre fazendo e respeitando as novas amizades.
Após a fatalidade que me ocorreu, você nunca deixou de me procurar sempre que podia.
Estive com você em seus momentos mais alegres. Enquanto todos como Aspirantes pensavam em carro, você comprou um apartamento para seus pais, tirando-os da moradia paupérrima, simplíssima atrás da barbearia de seu pai.
Estive junto com você em seu casamento, quando resolveu trocar o apartamento de seus pais, porque seu pai tinha muita dificuldade de subir as escadas. Olha que você já era casado com dois filhos e ainda não tinha o seu teto e nem um carro novo.
Você, meu amigo, sempre foi à generosidade, simplicidade e a humildade em pessoa. Ainda hoje escuto sua esposa Valéria falando prá mim “Rogério, você acredita que quando Roberto casou, só tinha duas mudas de roupas”? É claro que eu acreditava. Ela tinha se esquecido de que eu o conhecia há muito mais tempo do que ela.
Lembro de quando como tenente, você veio morar em Niterói no PNR da Rua Pereira da Silva, próximo ao apartamento da minha mãe que ficava na Rua Álvares de Azevedo, em Icaraí, quando em um domingo você chega à casa de minha mãe; todo esbaforido; dizendo que Valéria tinha feito um almoço especial que era para eu ir almoçar lá.
Em lá chegando você abriu uma cerveja para mim e disse para eu me servir do arroz-de-forno que Valéria havia preparado. Ao me servir, eu perguntei: E ai? Você não vai comer não?
Mais que depressa você pegou seu prato que estava pronto no forno.
Meu amigo, como é que eu posso contar o que vivemos juntos em Quarenta e Dois anos? Lembro-me de tantos detalhes que precisaria de milhares de folhas para contar tudo. Nossas caminhadas, nossas pescarias, nossa praia, nossos churrascos, festas, passeios, viagens, nosso jogo de cartas frequente, enfim, foram incontáveis momentos que passamos juntos.
Meu amigo! Assim como estive com você em seus momentos mais alegres, também estive junto com você em seus momentos mais tristes. Ajudei você a carregar seu pai, sua mãe e seu irmão. Porém jamais, jamais, em tempo algum, pensei que em algum dia eu iria ajudar a te carregar.
De ora em diante estaremos juntos nas preces que tanto eu como, sem dúvida, todos os seus familiares e os seus amigos oram diariamente para o bem estar de sua alma no Plano Celestial.
Que Deus te abençoe e a toda a sua família e obrigado, obrigado mesmo por ter sido meu AMIGO!